quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

2017 - 2018 - Fim de um ciclo e início de uma nova esperança.


O ano de 2017 começou e está terminando, e continua nas favelas como sempre fora, com opressão, falta de direitos básicos para se viver, tiroteios e mortes de moradores, encurtando a vida de jovens e crianças que são alvejados em confrontos diários entre a polícia e traficantes como se isso fosse a coisa mais comum do mundo.
Em meio a tantas dores e perdas, o Morro da Providência alcançou mais de 120 anos de história. Lembramos com muito carinho e respeito de tantos homens e mulheres que contribuíram direta ou indiretamente para chegarmos até aqui. Chegar ao fim de cada dia é uma vitória para cada um dos moradores da Providência. Estar vivo é um motivo para comemorar em meio a tanta violência. Ainda assim, somos vitoriosos.


Os moradores mais antigos da Providência








Porta da Igreja N. S. da Penha



















Em determinadas situações nos fazemos perguntas todos os dias:
O que realmente nos move em meio a tanta adversidade? Qual o sentimento que mais valorizamos?
Vimos ao mundo sem escolher onde nasceríamos, quem seriam os nossos pais, se teríamos recursos abundantes ou escassos para vivermos. Entretanto, uma coisa é fato, se aqui nascemos, crescemos e aqui vivemos até hoje, é aqui que devemos lutar e resistir para mudar os paradigmas e esteriótipos  impostos aos que moram em comunidades carentes, favela e ou periferia. Sempre ouvimos ou vemos insinuações que somos desprovidos de consciência social e política, inteligência, criatividade, de amor ao próximo. Além de insistirem em reafirmar que não temos o direito de ser alguém por nossos próprios méritos ou até mesmo de nos deixar sonhar por um futuro de dignidade, de realizações coletivas e comunitárias. Devemos buscar desde já essa mudança de pensamento, de ações e atitudes.
Que o amanhã que se iniciará seja um amanhã onde as comunidades alcancem a alegria, a paz, a esperança e o gosto pela sua terra e pela vida.
Que venha o ano de 2018 e com ele venham muitas oportunidades e alegrias para nós moradores.


Que Deus nos ajude!!!!!


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Olimpiada da exclusão - A luta e resistência das favelas.


O mundo está prestes a ver o maior evento esportivo que será realizado aqui no Rio de Janeiro, as olimpíadas.  O cenário está sendo montado para os milhares de turistas que são esperados aqui. Eles só irão ver o Rio de Janeiro que querem que vejam, ou seja, uma cidade que não condiz com a nossa realidade do dia a dia. Uma cidade totalmente diferente daquela que lutamos constantemente para vivermos e sobrevivermos.

A olimpíada para nós, começou bem antes da abertura dos jogos que será realizada no dia 05 de agosto de 2016. Desde 2010/2011 que já sofremos na carne, nas estruturas de nossas casas e nos locais de lazer da nossa comunidade. O nosso principal esporte aqui é lutar e resistir contra todas as investidas que a prefeitura do Rio fez para nos remover e expulsar de nossas casas. A nossa medalha, é a nossa permanência aqui na Providência. Queremos os direitos que nos cabe, o direito de ter o que todos os outros locais do Rio tem: regularização fundiária, serviços de qualidades, escolas que funcionem, posto médico que solucione e previna as demandas da saúde, sair de casa a qualquer hora e ter a certeza que não seremos alvejados...entre tantos outros.

A nossa visão de legado desta olimpíada não confere com a visão de legado do prefeito. Eis o nosso legado: Uma região portuária maquiada que isola os moradores da Gamboa, Santo Cristo e Saúde; Que exclui a primeira favela do Brasil, o Morro da Providência; Que retira o bairro do Cajú da área intitulada como  Porto Maravilha e o abandona. Um Parque Olímpico que desintegra toda uma comunidade, a Vila Autódromo, de seu mapa. Um plano de urbanização de comunidades que remove mais de 60 mil pessoas no Rio de Janeiro para realização dos jogos olímpicos. Uma política de segurança que mata pobre, negro e favelado de todas as idades diariamente nas favelas cariocas como justificativa de combate a violência. Uma educação que fecha escolas e desvaloriza e humilha seus professores em detrimento a obras de adequação para as olimpíadas, que enriquece todos aqueles que são parte nessas obras.

Essa cidade, nunca será mostrada ou noticiada em nenhum canal de TV, revista ou jornal. Essa cidade, é a nossa cidade olímpica de todos os dias. Nela, temos que suar sangue, conter o nosso desespero, chorar os nossos mortos, clamar a Deus por por mais um dia de vida, por misericórdia por irmãos e irmãs que nem conhecemos, mas nos solidarizamos com eles por tanto massacre, tanto desprezo, tanta opressão que sofremos diariamente por esse estado que não se cansa de mentir e fingir garantir direitos para nós moradores de favelas. Só acredita quem não conhece a favela por dentro.

Uma vida, uma esperança!
Uma favela, uma história!
Lutando e resistindo para alcançar um sonho!

Morro da Providência, mais de um século de existência, de luta, de resistência e  de perseverança.

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